
Da Invalidez à Vida Produtiva: A História de Elaine Nussbaum
Em abril de 1980, após exames para detectar a causa de uma longa e excessiva menstruação, descobri que estava com câncer. Era um carcinoma no tecido conjuntivo da parede do útero. Submeti-me a vinte sessões de radioterapia , a um implante de rádio, a tratamentos com hormônios e à quimioterapia oral e endovenosa.
Em agosto de 1980, aconselhada pelo médico, resolvi enfrentar tanto uma histerectomia radical (remoção do útero) quanto uma ooforectomia bilateral (remoção de ambos os ovários).
Continuei fazendo quimioterapia.
Em maio de 1982, comecei a sentir dores na região lombar. Apesar de medicada, a dor piorava progressivamente. Cheguei ao ponto de não conseguir nem deitar nem sentar. Em agosto, após ter de permanecer em pé durante alguns dias e algumas noites, dormindo nos ombros de meu marido na posição erecta, fui a um ortopedista. Ele confirmou uma fratura e notou também que minhas vértebras estavam “desmoronando”. A fim de evitar o pior, fui colocada dentro de um aparelho que se estendia do tórax à pélvis e contornava o dorso.
Mas a dor piorou e propagou-se até a perna: nem ficar de pé agora eu podia. Meu marido então ajustou-me a uma cama reciclável e administrou-me fortes analgésicos, que, no entanto, não conseguiram dar cabo da dor.
Em setembro, fui levada ao hospital para mais exames de raios X e ultra-som. Além da fratura e da vértebra arruinada, os exames constataram câncer nas vértebras lombares e metástases em ambos os pulmões.
Voltei às sessões de rádio e quimioterapia. Voltei a sentir-me exausta, debilitada, com náuseas e dores.
Em janeiro de 1983, após os ciclos de quimioterapia, novos exames foram realizados. Eles demonstraram que o câncer na coluna havia progredido e a metástase nos pulmões, estacionado.
Em finais de janeiro, cortei o dedo ao abrir minha correspondência. Como a quimioterapia degenerara meu sangue, não fui capaz de combater a infecção que se seguiu. O corte me valeu dez dias de internação, quatro transfusões de sangue, doses monumentais de antibióticos por via intravenosa e três dias de isolamento. Ficou patente que a quimioterapia administrada era muito forte. Eu deveria então ser encaminhada para algo menos tóxico.
Esses contratempos, porém, me persuadiram a buscar uma alternativa aos métodos da medicina convencional. Após algumas pesquisas, tomei conhecimento da Macrobiótica. Livros me inspiraram e em meados de fevereiro comecei a evitar carne, laticínios, frutas, açúcar e reduzir a zero as 38 pílulas que ingeria diariamente. Em fins de fevereiro, adotei a dieta macrobiótica.
Comecei a dieta ainda na cama do hospital. Em pouco tempo, porém, já caminhava com o auxílio de uma bengala. Em abril, um problema urinário que vinha me importunando havia três anos – conseqüência da radioterapia – desapareceu. Em maio, para minha surpresa, abandonei a bengala e passei a andar sem a ajuda de ninguém ou de aparelhos.
Em junho aposentei minha peruca: meus cabelos, ausentes desde o início da quimioterapia, despontaram o suficiente para me proporcionar boa aparência. Voltei a dirigir e retomei os estudos com a finalidade de obter o grau de mestre. Em seis meses, resumindo, deixei de ser a doente depressiva e a inválida dependente de pílulas que eu era para me metamorfosear numa pessoa alegre, otimista, profundamente agradecida e livre de dores.
Os efeitos da dieta têm sido sobretudo positivos. É claro que no início experimentei “descargas” tais como diarréias e problemas de pele , mas o importante é que gozo de boa saúde e as funções orgânicas(apetite, sono, eliminações e prontidãodmental) se dão perfeitamente. E eu e minha família saboreamos de fato as refeições.
Embora não faça mais uso de medicamentos, continuo a consultar-me com minha oncologista para check-ups periódicos. Diz ela que estou muito bem.
Venho praticando macrobiótica há quase dois anos. Terminei o mestrado em nutrição com a tese “Macrobiótica – Uma alternativa no Tratamento do Câncer.” Oriento pessoas com todas as espécies de doenças degenerativas e ainda ensino culinária e ministro palestras em Nova York e Nova Jersey.
Atribuo a reversão de meu câncer unicamente à Macrobiótica. Desejo que minha história seja fonte de esperança e inspiração para os que hoje sofrem sem vislumbrar saída.
Comentário de Sônia Hirsch sobre Metamorfose
Sônia Hirsch, cujas obras sobre saúde e alimentação já transformaram a vida de muita gente, assim se refere ao Restaurante Metamorfose em seu mais novo rebento chamado “Paixão Emagrece, Amor Engorda”:
“Agora só há um bom restaurante macrô no Rio de Janeiro, o Metamorfose. Lá continuam se encontrando para almoçar pessoas de todas as idades e profissões, desconhecidas e famosas, veteranos ao lado de novatos. Ao longo dos anos mudou alguma coisa na comida – há mais salada fresca, mais molhos, alguns feijões além do azuki, cardápios novos e criativos. Mas continuam sendo uma comida sofisticada, com aquele arroz especialíssimo de panela de pressão, o gersal bem-feito, verduras e vegetais saborosos, quitutes inacreditavelmente delicados.”
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