
Os óleos da macribiótica
Hoje há quase um consenso entre os macrobióticos sobre carboidratos e proteínas. A coisa muda totalmente de figura, entretanto, assim que penetramos o território nebuloso das gorduras. Praticamente todos concordam em usar castanhas, sementes e azeite. Todavia, a polêmica logo se instala quando expressões como óleo de coco, óleo de linhaça e óleo de peixe, por exemplo, são pronunciadas.
Escolher o produto apropriado não é mesmo fácil, ainda mais quando as indústrias insistem em utilizar etiquetas que não descrevem com exatidão as técnicas de extração do óleo. Não basta, evidentemente, espremer castanhas ou sementes para extrair-lhes o óleo. A maioria das matérias-primas requer muita pressão, e pressão resulta em calor. Quando a temperatura é alta o bastante, o óleo começa a degradar liberando radicais livres. Algumas companhias não abrem mão de variantes do petróleo para separar o óleo da semente esmagada. Depois de extraído, o óleo pode ser exposto ainda a uma série de processos, tais como alvejamento, refinamento e desodorização. Tudo isso acaba por debilitar-nos. O que fazer, portanto?
A seguir compartilho o que aproveitei de minhas leituras e o que pratico no dia-a-dia.
1 - Use um leque variado de fontes de gordura, tais como castanhas, sementes, óleo de gergelim, azeite, abacate. Agindo assim, você obterá todos os tipos de ácidos graxos de que necessita, além de ômega 3 e ômega 6. Nozes e óleo de linhaça são fontes de ômega 3. Algumas pessoas ainda lançam mão, como suplemento, de óleo de peixe.
2 - Use a proporção de gordura adequada a suas necessidades. Se sua condição exige, use pouca gordura, restringindo-se às nozes e sementes e evitando óleos líquidos e gordura animal. Há provas de que uma dieta com níveis baixos de gordura é capaz de curar algumas doenças. Se seu estado não é o desejável, procure um orientador.
Se, no entanto, você não tem queixas, ou se está amamentando uma criança, esteja consciente de que uma dieta muito rígida com relação a gorduras pode ser inadequada. Use castanhas, sementes, pasta de nozes, óleos líquidos não aquecidos, manteiga se desejar e outros produtos de qualidade, sempre na quantidade justa.
3 - Procure qualidade sempre. Evite os produtos reconhecidamente inferiores, como, por exemplo, os refinados, e compre orgânicos. Pessoalmente, eu uso óleo de gergelim não-refinado e azeite extravirgem para refogar, e óleo de coco extravirgem e não-refinado para assar e fritar. Ocasionalmente tenho em casa manteiga, peixe ou frango caipira.
4 - Use óleos líquidos sabiamente. Não os superaqueça quando refoga nem os coloque no forno. Óleo de coco e manteiga produzem melhores assados do que óleos líquidos, pois estes freqüentemente degradam quando submetidos ao calor do forno.
5 - Gorduras animais não são necessariamente um tabu. Do mesmo modo que os adoçantes artificiais são mais danosos que o açúcar branco, as gorduras artificiais são piores que a manteiga. E meus filhos espalham menos manteiga no pão do que o fariam se estivessem usando a famigerada margarina.
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