
Crítica da sociedade biocrática
Metamorfose entrevista Richard Lewontin
Autor de “A Doutrina do DNA: Biologia como Ideologia” e “A Tripla Hélice”, o Professor de Engenharia Genética da Universidade de Harvard Richard Lewontin adverte-nos de que a vida é muito mais complicada do que supõem os defensores de determinismo genético. Os genes são tão complexos que se modificam de acordo com circunstâncias sociais, psíquicas, nutricionais, etc. Hoje, porém, na sociedade biocrática em que vivemos, os genes são vendidos como sistemas fechados, como peças de computador. E, o que é pior, alcançaram o status de sujeitos da história.
Metamorfose: Professor Lewontin, estaria a biotecnologia acima do bem e do mal?
Richard Lewontin: A ciência é moldada pela sociedade porque ela é uma atividade produtiva humana que demanda tempo e dinheiro. Portanto, ela é guiada por aquelas forças do mundo que controlam o tempo e o dinheiro. Muitas pessoas ganham dinheiro e sobrevivem da ciência, e conseqüentemente as forças econômicas dominantes determinam em larga medida o que a ciência faz e como ela faz. Mais do que isso: tais forças têm o poder de se apropriar das idéias científicas que são particularmente úteis para a manutenção e continuidade das estruturas sociais. É um processo duplo: por um lado, o controle sobre o que os cientistas fazem e dizem; por outro, o reforço dos valores dominantes da sociedade de determinada época. Explico esse fenômeno quando falo da ciência como ideologia.
Metamorfose: Professor Lewontin, considerando que a biotecnologia é vendida como uma ciência capaz de tudo modificar, seríamos, enfim, títeres sem importância comandados pela vontade dos genes?
Richard Lewontin: Os genes são modificados pelas condições de trabalho, psicológicas, sociais, antropológicas. Defini-los como sistemas fechados seria um dos artefatos mais eficientes de discurso biológico enquanto ideologia.
Nosso desenvolvimento não depende da herança genética, mas da temperatura, umidade, nutrição, cheiros, visões, sons que nos impregnam. Não se pode dizer o que um organismo será. As causas do câncer, por exemplo, não estão apenas nos genes. Estão mais nas condições sociais a que nós, sistemas abertos, estamos condicionados (PVC, amianto). A causa da tuberculose não era o bacilo, mas as condições sociais do século XIX: acusaram uma pobre bactéria!
O processo de metonimização prossegue: a parte pelo todo. Nossos genes, diz a mídia, podem gerar o alcoolismo ou a tendência ao consumo de drogas. A discussão reduz tudo aos genes. Mas os genes não podem fazer nada. Isolar o gene é um artefato ideológico.
Metamorfose: Poderia o senhor fazer uma síntese de sua crítica à sociedade biocrática?
Richard Lewontin: A imprensa fetichiza o DNA; o Projeto Genoma Humano é uma fábrica de fazer dinheiro; as discussões sobre biotecnologia não levam em consideração pensamentos complexos; as empresas de biotecnologia ressuscitam uma antiga vontade eugênica, consideram somente a “força interior” e as influências do meio sobre o ser são deixadas de lado.
Metamorfose: Sabemos que na origem da biologia analítica moderna está a visão excludente que despreza as “forças externas”. Antes do século XIX, as forças internas e externas não eram vistas como separadas. Para Lamarck, por exemplo, a forma e a função são adaptações ao mundo exterior. Como o senhor vê esse diálogo entre o “interior” e o “exterior” num ser vivo?
Richard Lewontin: Um organismo vivo, em qualquer instante de sua vida, é conseqüência única de uma história de desenvolvimento resultante da inter-relação e determinação das forças internas e externas. As forças externas, aquilo que chamamos usualmente de “natureza”, são elas mesmas parcialmente conseqüências das atividades do organismo em si, já que ele produz e consome as condições de sua própria existência. Assim, organismos não encontram o mundo no qual eles se desenvolvem, eles os criam. Reciprocamente, as forças internas não são autônomas, mas agem em resposta às forças externas. Parte da maquinaria química de uma célula só é manufaturada quando forças externas demandam. Por exemplo: a enzima que quebra a lactose do açúcar a fim de dar energia para o crescimento de bactérias só é manufaturada pelas células das bactérias quando elas detectam a presença de lactose na natureza.
Vejam bem: nem mesmo o “interior” é idêntico ao “genético”. As moscas das frutas, por exemplo, têm pêlos longos que servem como órgãos sensórios, mais do que bigodes de gato. Algumas moscas têm mais pêlos no lado esquerdo e outras mais no direito. No entanto, os dois lados da mosca têm os mesmos genes e têm a mesma natureza durante todo o desenvolvimento. A variação entre os lados é uma conseqüência de movimentos e eventos celulares durante o desenvolvimento, chamados de “ruídos de desenvolvimento”. É esse mesmo ruído que leva ao fato de gêmeos idênticos terem digitais diferentes e de nossas impressões digitais, da esquerda e da direita, serem diferentes entre si.
Metamorfose: O crescente conhecimento sobre o genoma humano certamente influenciará as relações entre indivíduos e instituições, geralmente aumentando o poder das instituições sobre os indivíduos. Concretamente, como poderemos ser afetados?
Richard Lewontin: As relações dos indivíduos com os agentes de assistência médica, com as escolas, com as cortes, com as empresas, são todas afetadas pela demanda de conhecimento sobre o status do DNA de cada um. A demanda dos empregadores por informações e diagnósticos sobre o DNA de empregados serve de duas formas. Primeiro, como mantenedores de seguro-saúde, diretamente ou mediante o pagamento de prêmios a companhias de seguro, os empregadores reduzem suas vagas apenas contratando trabalhadores com melhor prognóstico de saúde. Segundo, se há locais de trabalho insalubres, os empregadores só contratarão os trabalhadores menos sensíveis a essa insalubridade. Assim o empregador diminuirá os gastos com seguro-saúde. O desemprego e desamparo social também residirão nos genes.
Metamorfose: Na sua opinião, o que determina a singularidade de um organismo?
Richard Lewontin: Existe já há muito tempo um vasto conjunto de evidências segundo as quais a origem e desenvolvimento de um organismo é conseqüência de uma interação singular entre os genes que ele possui, a seqüência temporal dos ambientes externos aos quais está sujeito durante a vida e eventos aleatórios de interações moleculares que ocorrem dentro de células individuais. São essas interações que devem ser incorporadas em uma explicação adequada acerca da formação de um organismo.
O organismo não é determinado nem pelos seus genes, nem pelo seu ambiente, nem mesmo pela interação entre eles, mas carrega uma marca significativa de processos aleatórios.
Metamorfose: Para finalizar, qual a característica mais marcante da vida?
Richard Lewontin: A característica marcante de um ser vivo é que ele reage aos estímulos externos, em vez de ser passivamente impulsionado por eles. A vida de um organismo consiste em constantes correções de rumo.
* Embora fictícia, esta entrevista baseia-se exclusivamente em depoimentos, artigos e livros de Richard Lewontin.
Entrevista a Tom Monte
O Restaurante Metamorfose disponibiliza para os leitores de língua portuguesa a mais recente entrevista concedida por Michio Kushi a Tom Monte e publicada na revista Macrobiotics Today.
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Há poucos meses estive com Michio Kushi em sua casa em Brookline, Massachusetts. Antes do encontro, solicitei a velhos amigos conselhos e sugestões para a entrevista. “Não espere muito de Michio”, disseram-me alguns. “Ele não está bem e cansa-se facilmente”, concluíram.
Em 2004, Michio sofreu uma cirurgia para remover um tumor cancerígeno do intestino grosso. Em maio de 2006, porém, por ocasião de seu 80º aniversário, reapareceu e demonstrou estar bem de saúde e otimista. Voltou a viajar, ensinar e orientar pessoas. Contudo, nos anos seguintes, sua saúde declinou abruptamente, deixando muitos de nós preocupados.
Prevenido, cheguei à casa de Michio num dia cinzento de outubro pensando numa breve visita.
A casa era silêncio quando por ela adentrei. Mark Van Cauwenberghe, que vem trabalhando num CD-rom com palestras de Michio, conduziu-me até a sala de visitas onde nosso entrevistado, no chão sobre uma almofada, parecia revisar um manuscrito.
Ele ergueu a vista e abriu-me um grande sorriso: “Como vai você?”, perguntou.
Fiquei ao mesmo tempo surpreso e aliviado quando o vi. Seu cabelo, sempre bem escovado e penteado para trás, apresentava-se agora desalinhado e mesmo rebelde. Também emagrecera um pouco desde nosso último encontro. Mas, ao mesmo tempo, estava cheio de energia e entusiasmo para falar. Mostrava-se feliz e animado. Todo aquele pressentimento que me acompanhava desde que na casa entrei, dissipou-se imediatamente.
Michio falou por duas horas e não fraquejou uma vez sequer. Expressou-se, como sempre, num inglês tosco, a despeito de viver há mais de meio século nos EUA. Suas idéias, entretanto, revelaram-se claras como um cristal e sua memória continua notável. Ele ainda possui uma força considerável.
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Tom Monte: Não há como negar que, hoje, a Macrobiótica não consegue propagar-se como no passado. Por quê?
Michio Kushi: As pessoas precisam saber que na última década a Macrobiótica era bem aceita pelos nutricionistas. Hoje, porém, algumas lideranças vêm afirmando que a Macrobiótica não é uma ciência, mas uma filosofia ou coisa que o valha.*
Mark Van Cauwenberghe, médico, e meu filho Lawrence Kushi, epidemiologista, ambos acham graça dessas afirmações, pois sabem que há centenas de pesquisas científicas que corroboram os pontos de vista macrobióticos.
Tom Monte: Então você acredita que o retraimento da Macrobiótica tem a ver com o fato de a considerarem não-científica?
Michio Kushi: Exatamente. Muitos não estudam.
Tom Monte: Quem não estuda?
Michio Kushi: Os líderes e os praticantes. Ambos não estudam e por isso não se sentem seguros.
O velho estilo de Macrobiótica ainda está à solta com toda a sua rigidez, “isto é bom, aquilo é mau”... Mas a verdadeira Macrobiótica não descarta nada; ela, ao contrário, procura tudo abarcar.
Vejamos, por exemplo, o caso do tomate. Em tese, os macrobióticos não o recomendam. Entretanto, para pessoas que estão ingerindo produtos animais – ovos, frangos – o tomate não é de todo ruim. Destarte, é necessário estudar o Princípio Yin-Yang e aplicá-lo em domínios cada vez mais amplos.
Tom Monte: Como seus médicos explicaram o fato de você ter contraído câncer?
Michio Kushi: Três ou quatro amigos médicos disseram-me: “Kushi, você adoeceu porque cuidou de muitas pessoas com câncer. A energia delas foi transmitida a você de alguma forma”. Este, porém, é apenas um lado da história.
Minha teoria é que adoeci por causa das constantes viagens e seminários. Não havia como praticar macrobiótica a contento: alguns dias eu simplesmente não comia; outros, eu comia tarde da noite; permanecia a maior parte do tempo em hotéis; ceava em restaurantes. Por essas e outras meu estilo de vida tornou-se antinatural. Agregue-se a isso o fato de eu estar três ou quatro vezes mais ocupado do que a maioria das pessoas. Definitivamente, eu não estava seguindo um estilo de vida macrobiótico.
Após a cirurgia, os médicos naturalmente recomendaram quimioterapia ou radioterapia para prevenir a recorrência do câncer. Eu, é claro, recusei. Concentrei-me na alimentação e vi-me melhorando cada vez mais. Quiseram fazer um exame. Concordei. O resultado provou que nada se propagara. Estou, portanto, livre do câncer.
Tom Monte: Em sua opinião, por que muitos macrobióticos e macrobióticas têm morrido ainda jovens, bem antes dos 70 ou 80 anos?
Michio Kushi: Creio que a prática deles não é, de fato, macrobiótica. Embora eu me tenha emendado, o velho estilo de macrobiótica ainda impera. O fato é que ambos, yin e yang, são importantes. No volume “Book of Macrobiotics”, afirmei que a razão entre yin e yang deveria ser de sete para um. Ou seja, yin suplanta yang. Mas a maioria das pessoas ainda está atada ao velho estilo. Após dez, vinte anos, a condição delas torna-se precária.
Tom Monte: Você acha então que a crença de que yang é melhor tem levado muitos à doença?
Michio Kushi: Exatamente! Quando macrobióticos ficam doentes, em geral a causa é yang, talvez muito sal. Eles encaram as frutas como um tipo de pecado, e ao ingeri-las se sentem culpados. Ora, frutas são necessárias em alguns casos. Acreditam também que saladas cruas são prejudiciais. Mas saladas cruas, em certos casos, são até mesmo indicadas! Flexibilidade é a chave. E não é demais repetir: as pessoas devem estudar o Princípio Yin-Yang.
Tom Monte: Várias pessoas pensam que o cozimento à pressão constitui um problema, já que nos deixaria muito yang. Que você acha disso?
Michio Kushi: Bem, o cozimento à pressão, como técnica básica, é recomendável. Mas, ao mesmo tempo, a fervura e outros métodos deveriam ser utilizados. O segredo consiste em adaptar várias técnicas culinárias.
Tom Monte: Alguns acreditam que o cozimento à pressão é responsável pela ingestão exagerada de alimentos.
Michio Kushi: Creio que o cozimento à pressão não é o problema, mas sim o cozimento à pressão aliado ao excesso de sal. Isso torna o alimento muito yang. Na verdade, uma pitada de sal é o suficiente.
Tom Monte: Mas, se os alimentos cozidos à pressão yanguizam os órgãos digestivos, isso não resultaria em mais apetite e, portanto, em maior empanzinamento?
Michio Kushi: Isso depende da pessoa. Macrobiótica não é somente arroz (que é freqüentemente cozido à pressão), mas também outros grãos, feijões e vegetais. Se adotamos um estilo mais expansivo ao cozinhar vegetais, se ocasionalmente comemos frutas, então conseguimos uma compensação. O cozimento à pressão é a técnica tradicional para preparar o arroz integral, mas ao mesmo tempo não nos devemos prender a ela, já que podemos utilizar a fervura, o vapor e outras técnicas.
Tom Monte: Como o câncer que afetou sua família e a você próprio mudou sua visão do alimento e da Macrobiótica?
Michio Kushi: Creio que, no caso de minha esposa Aveline e de minha filha Lilly, o que desencadeou a doença foi, mais uma vez, uma prática dietética parcial. Lilly morava havia sete anos na Califórnia. Ela fazia música para filmes e, dado o excesso de trabalho, comia tarde da noite e encontrava dificuldades para praticar macrobiótica.
Quanto a Aveline, a qualidade de sua comida era muito boa, mas a sua prática tendia para a unilateralidade: muito yang. Ela ingeria, por exemplo, kombu frita. Trata-se, com efeito, de um prato delicioso. Comê-lo de vez em quando, é claro, não representa perigo, mas ingeri-lo todo dia pode suscitar problemas.
Tom Monte: Mas por que as pessoas sentem atração pelo extremo yang?
Michio Kushi: A primeira razão é conceptual. A outra é que os pratos macrobióticos são muito deliciosos. Com o tempo, certas práticas dietéticas tornam-se hábitos, assim como a ingestão de álcool.
Tom Monte: Várias pessoas sentem-se desorientadas quando comparam a macrobiótica de hoje com a de tempos atrás. No congresso de verão deste ano, por exemplo, constaram de algumas receitas ingredientes tais com óleo de coco, leite de coco, pimenta e outros alimentos de origem tropical. No passado, tais receitas eram tidas como inapropriadas para um clima temperado.
Michio kushi: Uma macrobiótica mais tolerante é sempre bem-vinda; mas se a prática torna-se menos rigorosa, então as pessoas deveriam compreender muito bem as leis do equilíbrio.
Óleo de coco, por exemplo, não é aconselhado num clima temperado. Por conter gordura saturada**, não deveria ser usado diariamente ou mesmo freqüentemente. Especiarias, por sua vez, podem elevar a pressão sangüínea e agitar o pensamento, afastando a tranqüilidade e o sossego. Não deveriam ser usadas, a menos que alimentos de origem animal ou outros alimentos ou atividades muito yang fossem incorporados ao nosso estilo de vida. Entender a macrobiótica é entender esse tipo de compensações.
Tom Monte: Em geral você tem feito uma dieta mais aberta, mais yin?
Michio Kushi: Não necessariamente. Tenho praticado uma dieta mais aberta e mais balanceada, eliminando, isto sim, o conceito de que yang é bom e yin é ruim. Ambos são necessários.
Tom Monte: Você acha que os orientadores macrobióticos estão preparados para substituí-lo após sua morte?
Michio Kushi: Penso que precisaria de dez anos para prepará-los. Necessitamos, na verdade, de um sistema padronizado de orientação. Um espírito científico, analítico, faz-se necessário entre os orientadores macrobióticos.
Tom Monte: Mas na tradição macrobiótica o orientador sempre foi visto como um educador, não um médico ou cientista. Educar as pessoas no sentido de cuidar melhor de si mesmas era o objetivo.
Michio Kushi: Você está certo. No entanto, este é só um aspecto da questão. Quantos doentes, insatisfeitos, não passam anos mudando de orientador? Entre os orientadores há opiniões divergentes, o que deixa os doentes ainda mais frágeis. No fim, eles acabam querendo consultar-me, mas nunca esteve em meus planos atender pessoas individualmente.
É preciso, portanto, buscar um sistema padronizado de orientação. É claro que cada orientador tem sua própria opinião. Naturalmente, isso deve ser respeitado. Contudo, as opiniões não deveriam ser tão díspares.
Mais uma vez: o que falta é estudar e reunirmo-nos mais.
Tom Monte: Vários macrobióticos apresentam problemas de saúde e na vida em geral. Que você acha disso?
Michio Kushi: Acho que muitos não se alimentam bem. Nossa principal fonte de saúde, encontramo-la na comida caseira, elaborada dentro dos nossos lares, no fogo de nossas cozinhas. Comer em restaurantes constitui um expediente de exceção. A regra consiste em ingerirmos alimento doméstico. Daí a importância de saber cozinhar.
Tom Monte: Você tem consciência de que várias famílias macrobióticas necessitam de ajuda? Que conselho poderia dar-lhes além da necessidade de desenvolver a culinária?
Michio Kushi: Assistimos, no mundo atual, à deterioração da família. A família deveria ser redescoberta. Não se trata de revivermos uma forma rígida de família, mas de a reinventarmos. Trata-se de uma nova família onde impere o respeito mútuo e a liberdade do outro. O papel que a família desempenha na saúde de seus membros é insubstituível.
Tom Monte: É possível que muitas pessoas não dêem o devido valor a Aveline por ter ela falecido em virtude de um câncer.
Michio Kushi: A principal causa da morte de Aveline foi o tratamento médico. Com a radioterapia externa e a dieta macrobiótica, Aveline experimentou uma cura completa. No entanto, quando eu estava viajando, os médicos a persuadiram, alegando uma possível difusão do câncer, a receber radiações no interior do corpo.
Tom Monte: Você está-se referindo à radioterapia com implantes?
Michio Kushi: Não. Falo de algo como bastões que emitem radiações de lado a lado do útero. A radiação afetou o vaso governador (um meridiano de acupuntura que corre do cóccix até a cabeça pela coluna) e o câncer atingiu os ossos. Tanto Aveline quanto Lilly estavam completamente curadas. No caso de Lilly, é preciso lembrar que o meridiano do fígado percorre o útero. Duas semanas após o tratamento, problemas no fígado surgiram e o câncer retornou espalhando-se. Em ambos os casos, todo esse desenlace desastroso deveu-se aos tratamentos médicos.
Hoje em dia, mais e mais pessoas morrem em virtude dos tratamentos médicos. Doenças cardíacas são as que mais matam. Em segundo lugar, está o câncer. Mas já se começa a considerar os tratamentos médicos como a principal “causa mortis”. Não rejeito os tratamentos médicos quando necessários. O que combato é seu uso indiscriminado.
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* É claro que Michio refere-se aqui a Bill Tara, cujo artigo “Autocrítica ou Autocídio”, publicado em nosso site, alerta para o perigo de reduzir a Macrobiótica a uma ciência.
**No entanto, Sonia Hirsch, no livro “Paixão Emagrece, Amor Engorda”, esclarece que a gordura saturada do coco, ao contrário da das carnes, é constituída de ácidos graxos de cadeia média. Por não serem armazenados nas células, por se dirigirem diretamente para o fígado e se transformarem em energia, os ácidos graxos de cadeia média são considerados benéficos. A gordura de coco, ainda segundo Hirsch, não contém ácidos graxos trans, que aumentam o mau colesterol, e é rica em ácido láurico, substância encontrada no leite materno cuja função é assegurar a imunidade do bebê.
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